É com imenso carinho que recordo parte da minha infância, juntamente com a minha mãe, na cozinha da antiga casa de Leiria…

E era com todo o gosto que, por exemplo, a ajudava a preparar a massa dos bolos para os dias de festa, ou simplesmente para o almoço de domingo…

Depois, como ainda não havia computadores, consolas ou quaisquer telemóveis, gostava de ir para a rua brincar com as minhas bonecas, ou então de andar de baloiço com as minhas amigas, bem como de jogar com elas ao “elástico” ou ao “lencinho”…

Só sei que é sempre uma grande alegria, sobretudo na altura em que o bolo vai para o forno, pois é nessa altura exata que, cá em casa, se pega na tigela de bater a massa e existe a grande oportunidade de, recordando os tempos de outrora, digamos que, «provar» a massa crua, bem como aquela que ainda resta na espátula intitulada de Salazar:

«Em Portugal, termo sábio que vem mais uma vez demonstrar a enorme capacidade criativa do Zé Povinho, sabendo fazer a analogia perfeita entre um utensílio que tem por finalidade evitar o desperdício, limpando ou rapando tudo e não deixando nada, e o homem que, à altura, tinha sido Ministro das Finanças (Fazenda) e depois Presidente do Conselho de Ministros que liderou durante 40 anos, e … outras histórias que agora não são para aqui chamadas.” (Neves, AJ)»

Pois bem: agora contem-me lá, meus caros leitores deste Blog, qual é que é, afinal, o bolo tradicional que só leva ovos, farinha e açúcar?

É o… Pão de Ló:

«Pensa-se que surgiu como doce conventual em Ovar e que a sua confecção é anterior ao século XVIII. “ló” significa escumilha, isto é um tecido fino e transparente, mas também, e isto é que é interessante, significa o lado onde sopra o vento, ou seja o barlavento. Pensa-se que de início, o pão-de-ló era apelidado de “bolo de castela” e que só depois foi nomeado de “ló”. Seja como for nos dois casos o nome evoca a sua característica de leveza. Quando os portugueses chegaram ao Japão em 1541, tendo sido os primeiros europeus a embarcarem nessa ilha, os nipônicos adoptaram esse bolo de “castela” e chamaram-no de Kasutera ou Kastera (correspondendo estas formas a dificuldades de dicção). Em França este tipo de bolo é chamado de genovês ou “genoise” e pensa-se que a sua origem vem do Gênova, no norte da Itália. Já na Itália, chama-se “Pan di spagna”, ou seja pão de Espanha. No Reino Unido tem o nome de “sponge cake”.»

É que nem é preciso adicionar-se qualquer tipo de fermento, bastando bater-se a respetiva massa cerca de 30 minutos!

E se, por acaso, tiverem, na vossa casa, as formas de barro, tanto melhor, porque o resultado será ainda mais próximo do original, bem como a possibilidade de utilizarem um forno a lenha, tal como podem ver aqui!

Então não percamos mais tempo e vamos já para a cozinha preparar este belíssimo bolo, pode ser?

Só uma pequena nota antes: dependendo do gosto de cada um, e naturalmente da receita que é utilizada por cada região do nosso lindo país (Pão de Ló de Ovar, de Margaride, de Alfeizeirão, etc), para além do facto de também servir de base para outros doces (fofos de Belas, sopa dourada, etc), aconselho-vos vivamente a deixarem a massa cozer no forno só até entre 15 a 20 minutos, de forma a ficar ainda húmido por dentro.

RECEITA DA CATEGORIA DE TRADIÇÕES: Pão de Ló

Ingredientes:

  • 4 gemas de ovo
  • 4 ovos inteiros
  • 1/2 de colher de café de sal
  • 220 g de açúcar
  • açúcar em pó q. b.
  • 155 g de farinha de trigo

Confeção:

  1. Aquecer o fogo a 180º C;
  2. Preparar a forma do bolo, forrando-a com folhas de papel vegetal, para criar o formato tradicional do Pão de Ló e reservar;
  3. Bater as gemas e os ovos com o sal por 30 minutos, com uma batedeira elétrica em velocidade alta;
  4. Juntar o açúcar e bater por mais dez minutos;
  5. Polvilhar a farinha por cima da massa e misturar com uma espátula, fazendo movimentos circulares do fundo para cima até a farinha ser absorvida;
  6. Verter a massa na forma, com cuidado, para depois a colocar no forno cerca de 20 minutos, tapando-a ainda, com algum jeito, com uma folha de papel de alumínio;
  7. Retirar o bolo do forno e servir com um pouco de açúcar em pó por cima, devendo-se, por tradição, partir-se à mão em vez de se cortar com a faca.

(fontes: https://www.cozinhadamarcia.com.br/receitas/pes/pao-de-lo-portugues,

http://etimoteca.blogspot.com/2011/12/pao-do-lo.html,

https://www.dicionarioinformal.com.br/significado/salazar/595/)

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