O Dia da Mãe aproxima-se, sendo normalmente comemorado no primeiro domingo do mês de maio, em homenagem à Virgem Maria, mãe de Cristo, apesar de até uma certa altura, em Portugal, ter sido antes a 8 de dezembro.
Contudo, esta mesma data é uma homenagem a todas as mães, ainda que remonte às comemorações primaveris da Grécia Antiga, em honra de Rhea, mulher de Cronos e Mãe dos Deuses. Em Roma, por exemplo, as festas do Dia da Mãe eram dedicadas a Cybele, a Mãe dos Deuses Romanos, tendo começado por volta de 250 anos antes do nascimento de Cristo.
Já ao nível dos Estados Unidos, por exemplo, as primeiras sugestões em prol da criação de uma data específica para a celebração das mães foi dada em 1872 pela escritora Júlia Ward Howe, contudo fora uma americana moradora no Estado da Virgínia Ocidental, Anna Jarvis, que iniciara a campanha para instituir esse mesmo dia! 
E sabiam que os cravos são mundialmente considerados como sendo os símbolos da pureza, força e resistência das mães?


Em 1905, Anna, filha de pastores, perdeu a sua mãe, tendo entrado numa enorme depressão. Preocupadas com aquele sofrimento, algumas das suas amigas tiveram a ideia de perpetuar a memória da sua mãe com uma festa. Mas Anna Jarvis queria que a festa fosse estendida a todas as mães, vivas ou já falecidas, e assim as pessoas, crianças, jovens e adultos, se lembrassem de homenagear as suas mães. A ideia era então fortalecer os laços familiares e o respeito pelos pais.
 
Durante três anos seguidos, Anna lutou para que fosse criado o Dia das Mães e a primeira celebração oficial aconteceu somente em 26 de abril de 1910, quando o governador de Virgínia Ocidental, William E. Glasscock, incorporou o Dia das Mães ao calendário de datas comemorativas daquele estado. Rapidamente, outros estados norte-americanos aderiram à comemoração e finalmente, em 1914, o então presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson (1913-1921), oficializou a celebração em todos os estados, estabelecendo que o Dia Nacional das Mães fosse comemorado sempre no segundo Domingo de Maio. 
A sugestão fora da própria Anna Jarvis, para o qual, em muito pouco tempo, mais de 40 países adotaram a data.

O sonho fora realizado, mas, ironicamente, o Dia das Mães transformou-se numa data triste, pois a popularidade do feriado fez com que se tornasse um dia lucrativo para os comerciantes, principalmente para os que vendiam cravos brancos, flor que simbolizava a maternidade. “Não criei o dia as mães para ter lucro”, disse ela furiosa a um repórter, em 1923. Neste mesmo ano, ela entrou com um processo para cancelar o Dia das Mães, mas sem sucesso.
 
Anna passou praticamente toda a vida lutando para que as pessoas reconhecessem a importância das mães e, na maioria das ocasiões, utilizava até o próprio dinheiro para levar a causa para a frente. Dizia que as pessoas não agradeciam frequentemente o amor que recebiam das suas mães. “O amor de uma mãe é diariamente novo”, afirmava ela. 
Anna morreu em 1948, aos 84 anos, mas recebeu cartões comemorativos vindos de todo o mundo, por vários anos seguidos, apesar de nunca ter sido mãe.
 
Durante a primeira missa das mães, Anna tinha enviado 500 cravos brancos, escolhidos por ela, para a igreja de Grafton. Num telegrama para a congregação, ela declarou que todos deveriam receber a flor. As mães, em memória do dia, deveriam ganhar dois cravos. Para Anna, a brancura do cravo simbolizava pureza, fidelidade, amor, caridade e beleza. Durante diversos anos, Anna enviou mais de 10 mil cravos para a igreja, com o mesmo propósito. Os cravos passaram, posteriormente, a ser comercializados.
 



Quanto à minha proposta de confraternização para então o Dia da Mãe, a registar-se já de seguida no próximo dia 6 de maio, digamos que o suspiro é um doce bastante leve e sofisticado ao mesmo tempo, feito à custa de claras de ovos e açúcar, que são assadas num tabuleiro em forno brando.
E de acordo com o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, o seu primeiro registo data de 1881, sendo uma palavra sinónima de merengue.

O merengue terá sido criado na Suíça, na cidade de Meiringen (daí o nome), pelo chefe-pasteleiro Gasparini. O chefe, para não desperdiçar claras de ovos, decidiu batê-las em castelo com açúcar. Depois, dividiu-as em pequenas e cremosas pirâmides, levando-as ao forno até ficarem estaladiças. E assim nasceu o merengue, doce que os portugueses carinhosamente chamam de suspiros (ou beijinhos, quando são mais pequenos).
 

Mais tarde, numa visita oficial de Napoleão à cidade suiça, Gasparini serviu-lhe os suspiros, juntamente com um pouco de natas batidas. O auto-proclamado imperador francês terá adorado, decidindo baptizar os bolinhos com o nome da cidade: Meiringen. Em francês e inglês escreve-se meringue, uma derivação do nome original.

 

Durante quase dois séculos, a tradição culinária defendia que as claras em castelo para o merengue deveriam ser batidas apenas em taças de cobre. Só assim ficariam perfeitas, já que o cobre ajudava a que as claras atingissem de forma rápida e sem qualquer defeito o ponto de absoluta leveza, contrastando com os resultados de taças de outros materiais.
 
Gradualmente, os utensílios de cobre foram sendo substituídos por outros materiais, como plástico, vidro e, finalmente, aço inoxidável. Hoje, apenas os livros de culinária mais sofisticados defendem o uso da taça de cobre para fazer merengue.


Já agora, existem três tipos de merengue: o francês, que precisa de ir ao forno; o suíço, em que se cozinha as claras em banho-maria; o italiano, cuja técnica passa por juntar às claras, um xarope quente de açúcar. 
Por isso, aqui vos deixo também uma dica bastante útil: o merengue italiano será porventura o mais estável e ideal para cobrir tartes e bolos.

 

Para finalizar, acrescentem-se ainda as seguintes notas a propósito da confeção dos ditos suspiros:

– pode considerar-se que as claras de ovos são uma mistura de água com proteínas, que quando são batidas em castelo, é-lhes introduzido ar. 
– nessa altura, as proteínas que estão contidas na clara, como a albumina, executam uma certa ligação entre o ar e a água, de forma a cercar as bolhas de ar, tal como acontece numa emulsão de maionese, entre a água e o óleo.
– logo, ao bater as claras, as bolhas de ar são grandes, que com a ajuda da gravidade, as mesmas sobem se pararmos, tendendo a ficar depois menores, portanto a tensão aumenta e então cria-se uma estabilidade no seu todo cada vez maior. 
– depois, ao adicionar-se o açúcar, as proteínas são dissolvidas.
– obviamente que a presença de gema pode dificultar muito a formação de espuma, levando a que as bolhas de ar sejam expelidas, formando grânulos na superfície, para além de que a gema contém colesterol, molécula esta que tende a ligar-se aos grupos hidrofóbicos da albumina desnaturada, o que impede que esses grupos participem da formação da espuma, precisando de muito mais tempo para obter o mesmo efeito, ao mesmo tempo que exige uma velocidade de agitação muito maior a fim de se evitar a viscosidade.
– quando o preparado anterior é por fim colocado no forno, o calor expande as bolhas de ar e evapora a água; ao mesmo tempo, as proteínas coagulam, dando rigidez ao exterior. 
– se por acaso abrirmos a porta antes do tempo ideal de cozedura das claras então batidas com o açúcar, a diferença de calor pode fazer com que as bolhas de ar dilatadas pelo calor se esvaziem, dando origem a que, quando a porta foi fechada novamente, as proteínas se solidifiquem de forma incapaz.

RECEITA: Merengue de Morango com Suspiro

 

Ingredientes:

– 1 embalagem de chantilly de compra
– 1 caixa de morangos
– folhas de hortelã
– 1 embalagem de suspiros pequenos

Confeção:

1) Cortar alguns morangos em fatias finas, enquanto que outros em pedaços pequenos e reservar;
2) Partir alguns suspiros em pedaços pequenos e reservar;
3) Em cada uma das taças escolhidas para servir, distribuir alguns dos morangos cortados em fatias finas, tal como se pode ver na figura acima, ao mesmo tempo que se faz a seguinte montagem: uma camada de chantilly, uma camada de morangos cortados aos pedaços, uma camada de suspiros partidos aos pedaços; 
4) Terminar com a camada de chantilly, logo seguida de um suspiro inteiro por cima, juntamente com um morango no qual se fizeram uns pequenos golpes, bem como umas folhas de hortelã;
5) Levar ao frigorífico até à hora de ir para a mesa.

 

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