Há cerca de uma semana, foi a minha vez de ir até ao supermercado, para ver se a despensa cá em casa já ficava outra vez um pouco mais composta! E depois de ter ficado longos minutos à espera de entrar, numa fila com vários metros de comprimento, mas onde cada um cumpria a margem de distância recomendada, qual não foi o meu espanto: já tinha esgotado toda a farinha de trigo, bem como todo o fermento para pão?!…

Ou seja, depois da «corrida ao papel higiénico» surge a «corrida à farinha», que ao fazer umas certas pesquisas pela Internet comecei a perceber que este mais recente fenómeno não era só em Portugal, tal como se pode ler aqui:

“Apesar de produtores, revendedores e a própria United Nations’ Food and Agriculture Organization (FAO) garantirem que não há falta de matéria prima, o açambarcamento — ou “compras de pânico”, como dizem nos EUA — torna a escassez inevitável. “O novo coronavírus criou o ambiente perfeito para pôr toda a gente a fazer pão”, lê-se num artigo do Washington Post. O distanciamento social, ao ter colocado meio mundo fechado dentro em casa, sem muito para fazer (em alguns casos), fez com que passasse a haver mais tempo e atenção para dedicar a artes e ofícios que de outra forma, numa vida agitada e sem horários, não seria possível. O pão é exemplo disso.

Também a Food Navigator USA, publicação com mais de 20 anos que se dedica a analisar assuntos relacionados com alimentação, cita uma empresa de compras online norte-americana, a Chicory, que nos últimos tempos registou um aumento de mais de 120% nas encomendas de produtos básicos e fala num fenómeno social chamado “stress baking“, ou seja, fazer pão e bolos como forma de responder ao stress da época que se vive.

A cozinha como forma de lidar com a ansiedade e o stress é um fenómeno bem documentado, conta o Washington Post. As pessoas tendem a sentir que a atenção dada à confeção de um prato é reconfortante e a organização de tarefas necessárias para o fazer podem oferecer uma sensação de controle e satisfação. A professora de psiquiatria da Universidade de Michigan Michelle Riba contou ao mesmo jornal norte-americano que tem aconselhado os seus pacientes — principalmente os que são prestadores de cuidados de saúde — a construir rituais no seu dia a dia que tragam prazer e conforto. “No momento, estamos a precisar de fazer coisas muito básicas”, disse. “A panificação é um ato bastante básico, é uma coisa muito terrena”, reforçou.”

E eu cá posso confirmar o facto de como é bom, sabendo ainda muito melhor no fim, estar a cozinhar, ainda que depois precise de lavar e limpar tudo!

É que, ao sermos obrigados a manter-nos fechados em casa tanto tempo, perfazendo já cerca de quatro semanas, muitos de nós necessitam de exteriorizar o stress e a ansiedade por vias diferentes das que estávamos habituados a fazer: passear à beira-mar, ir ao ginásio, tomar café numa esplanada com os amigos, etc.

Por outro lado, o meu caro leitor com certeza que concorda comigo a respeito do facto de fazer pão ser, na maior parte das vezes, até relativamente barato e mais saudável do que comprar!

E sem dúvida que a Internet ajuda muito a relacionar-nos no «mundo digital», mas também com o mundo da edição e consequente partilha de fotografias e vídeos cada vez mais «apetecíveis», como foi o caso da incomparável Filipa Gomes aqui, que eu tantas vezes assisto no canal 24 Kitchen, tendo como base um fortíssimo algoritmo e a chamada «inteligência artificial», que ao mesmo tempo cruza dados sobre o que os outros pesquisam mais e as nossas interações entre as mais diversas plataformas que utilizamos no dia-a-dia, ainda que por razões profissionais.

Por isso, todo o cuidado é pouco na hora em que clicamos para aceder a um site e precisamos de criar um «perfil de utilizador», sugerindo gerir melhor os vossos mecanismos de segurança no computador, tablet ou telemóvel, porque definitivamente não chega escolher só uma palavra-passe segura, certo?

A saber: “EDP foi alvo de ataque informático! Sistema de atendimento de clientes bloqueado” e “Rui Pinto está agora num T1 nas instalações do novo edifício-sede da Polícia Judiciária, em Lisboa“, tal como pode ler-se aqui  e acolá!

Enfim… e muito mais havia para escrever, mas o tempo não chega para tudo: vamos antes para a cozinha fazer uma receita fácil e prática de pão de centeio caseiro?

RECEITA DA CATEGORIA DE ACOMPANHAMENTO: Pão de Mistura Caseiro

Ingredientes:

  • 5 chávenas de farinha de trigo
  • 1 chávena de farinha de centeio
  • 3 chávenas de água tépida
  • 1 pacote de fermento de padeiro
  • 1 colher de sopa de sal

Confeção:

  1. Numa caixa de plástico, colocar a água tépida e misturar o fermento com a colher de pau até dissolver.
  2. Juntar a farinha de trigo, a farinha de centeio e o sal.
  3. Mexer bem com a colher até que toda a farinha desapareça, para que a massa fique peganhenta.
  4. Alisar a superfície e tapar a caixa com película anti-aderente, deixando apenas uma pequena abertura, enrolando depois uma toalha envolta da caixa.
  5. Colocar o preparado anterior dentro do forno desligado, e bem fechado, a levedar de um dia para o outro.
  6. No dia a seguir, ligar o forno a 200ºC.
  7. Polvilhar a massa ainda dentro da caixa com farinha, e as mãos, para que não se pegue, e cortar com uma faca em quatro partes , de forma a fazer depois 4 pães pequenos.
  8. Arredondar levemente com as mãos, para que as bolhas de ar não se percam, distribuindo depois as partes de massa por quatro formas de ir ao forno cobertas com papel vegetal, para ainda polvilhar tudo por cima com farinha e cobrir com um pano.
  9. Deixar descansar durante mais algum tempo e só a seguir é que se deverá polvilhar com um pouco de sémola de milho e fazer cortes à superfície, se se quiser.
  10. Levar tudo ao forno, juntamente com um tabuleiro com água a ferver, devendo este ser colocado numa prateleira abaixo, com o objetivo de criar vapor e do tipo de forno.

(fontes: https://daisyandsunflowerreceitas.blogspot.com/p/pao-de-mistura-caseiro-em-5-minutos.html)

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