No passado sábado, dia 24 de novembro, eram cerca das 9h30 em Lisboa, quando peguei no carro rumo a Alcobaça, que é uma cidade portuguesa do distrito de Leiria, situada na província da Estremadura, região do Centro (Região das Beiras) e sub-região do Oeste, com cerca de 7000 habitantes no seu núcleo central. 

No entanto, a área urbana abrange cerca de 18000 habitantes distribuído pelas freguesias de Alcobaça e Vestiaria e por parte das freguesias de Aljubarrota, Maiorga, Évora de Alcobaça. Foi elevada ao estatuto de cidade em 1995, sendo célebre pela existência Real Abadia do Mosteiro de Alcobaça, da  monumento de enorme atração turística!

Já agora, acrescente-se ainda que Alcobaça também é sede de um município com 408,14 km² de área e 56 693 habitantes (2011), o segundo mais populoso da Comunidade Intermunicipal do Oeste e do distrito de Leiria, subdividido em 13 freguesias: o município é limitado a norte pelo município da Marinha Grande, a leste por Leiria, Porto de Mós e Rio Maior, a sudoeste pelas Caldas da Rainha e a oeste pela Nazaré (que rodeia por três lados), tendo dois troços de costa atlântica, a noroeste e sudoeste.

E sabendo que a cidade está localizada a 92 km a norte de Lisboa (124 km via A8, ou 110 km via IC2 / A1) e a 88 km a sudoeste de Coimbra (114 km via A8 / A17 / IC8 / A1, ou 105 km via IC2 / A1), decidi tomar a via A8, apesar de, infelizmente, o pavimento continuar a não se encontrar nas melhores condições em algumas zonas, ainda que existam portagens e a chuva ocorrida em alguns momentos tenha sido do tipo ligeira.

Atualmente, sabe-se que a cidade de Alcobaça crescera nos vales do rio Alcoa e do rio Baça, em que a área do actual concelho fora habitada pelos Romanos, mas a denominação ficou-lhe dos Árabes, cuja ocupação denota uma era de progresso a julgar pelos numerosos topónimos das terras adjacentes que os recordam, tais como Alcobaça, Alfeizerão, Aljubarrota ou Alpedriz!

Na verdade, quando Alcobaça fora reconquistada, a localidade tivera acesso ao mar através da grande Lagoa da Pederneira que atingia Cós, permitindo assim que navegassem embarcações em direção ao resto do País, todas repletas dos frutos mais deliciosos e produzidos na região graças à técnica introduzida pelos monges de Cister.

Ou seja, a 8 de Abril de 1153, Afonso Henriques doou as Terras de Alcobaça aos monges Cistercienses, mas com a obrigação de as arrotearem, tendo feito parte do vastíssimo território – Os Coutos de Alcobaça – que ia desde cerca de São Pedro de Moel a São Martinho do Porto e de Aljubarrota a Alvorninha, que por sua vez atingiu o seu máximo no reinado de D. Fernando I.

Os monges de Cister chegaram então a ser senhores de 14 vilas das quais 4 eram portos de mar (Alfeizerão, São Martinho do Porto, Pederneira e Paredes da Vitória), pois para além da sua actividade religiosa e cultural, uma vez que conseguiram ter acesso a aulas públicas desde 1269 de Humanidades, Lógica e Teologia, ensinavam ao mesmo tempo técnicas agrícolas, desenvolvendo uma acção colonizadora notável e perdurável no tempo!

Desta forma, foram colocadas em prática certas inovações agrícolas experimentadas noutros mosteiros, que graças às quais arroteavam as terras, secavam pauis, introduziam culturas adequadas a cada terreno e organizavam explorações ou quintas, a que chamavam granjas, criando praticamente a partir do nada uma região agrícola que se manteve até aos nossos dias como uma das mais produtivas de Portugal

Entretanto, em 1514, a cidade de Alcobaça recebera foral de D. Manuel I e em 1567, o mosteiro de Alcobaça separou-se de Cister, a casa-mãe em França, para se tornar cabeça da Congregação Portuguesa, por bula do Papa Pio V.

Em meados do século XVII, a maioria das terras já pertencia  aos habitantes das vilas e dos seus concelhos e em 1755; por causa do grande terramoto, Alcobaça fora destruída, sofrendo uma enorme inundação, em que o próprio marquês de Pombal impulsionara o município após essa tragédia.

Por toda esta história, graças à administração feita por parte dos monges cistercienses durante quase 700 anos, subsiste, ainda hoje, todo um conjunto de elementos arquitetónicos, sobretudo manuelinos, alguns pelourinhos e muitas casas rurais e anexos agrícolas, destinados a lagares de varas que depois nos séculos XVII e XIX foram amplamente utilizados para a extracção do azeite a partir dos olivais da Serra dos Candeeiros.

Alcobaça é, tal como todos os caríssimos leitores deste blogue devem saber, conhecida pelo seu mosteiro cisterciense, em torno do qual se desenvolveu a povoação, após o século XV. O mosteiro fora fundado por D. Afonso Henriques em 1148 e concluído em 1222 em estilo gótico. 

Durante a Idade Média, chegou mesmo a rivalizar com outras grandes abadias cistercienses da Europa; os coutos de Alcobaça constituíram um dos maiores domínios privados dentro do reino de Portugal, abarcando um dos concelhos vizinhos de Alcobaça, a Nazaré, e parte do de Caldas da Rainha, para além de possuir inúmeras terras adquiridas por escambo, emprazamento, aforamento ou arrendamento um pouco por todo o país.

Nos braços sul e norte do transepto da igreja do mosteiro, por exemplo, acham-se duas obras-primas da escultura gótica em Portugal: os túmulos dos eternos apaixonados, o rei D. Pedro (1357-1367) e D.Inês de Castro, sendo as melhores realizações escultórias da tumularia medieval portuguesa.

Sublinhe-se o facto do mosteiro de Alcobaça ser classificado pela UNESCO, em 1989, como sendo Património Mundial!

No que diz respeito às actividades de maior destaque económico no concelho são:
fruticultura, com destaque para a Maçã de Alcobaça e para a Pêra-rocha do Oeste; suinicultura; cerâmica de barro vermelho, faiança e cristalaria; indústria de moldes para plásticos; fabrico de cimento; turismo.

O prato típico da região de Alcobaça é o frango na púcara: um frango guisado aos pedaços com bastante molho de receita secreta, mas que inclui cebolinho, acompanhado de arroz branco e batatas fritas.
No campo da doçaria destaquem-se: trouxas de ovos; delícias de Frei João; Pudim de ovos do mosteiro de Alcobaça; pão-de-ló de Alfeizerão.

Portanto, mais uma vez decorreu, entre os passados dias 23 e 26 do presente mês, a denominada Mostra de Doçaria Conventual e Tradicional que, para além de Alcobaça, costuma contar com representações de todo o país e do estrangeiro, nomeadamente de Braga, Arouca, Louriçal, Alentejo, Galiza, Espanha e França.

O licor de ginja de Alcobaça é, sem dúvida, também muito apreciado pelos visitantes da cidade, tendo vindo a ser produzido desde 1930, tal como poderão verificar no meu próximo texto a publicar brevemente: XIX Mostra Internacional de Doces & Licores Conventuais: PARTE 2. 

Agora, no que respeita ao património museológico deste mesmo concelho, temosCasa-Museu Vieira Natividade, Museu do Vinho de Alcobaça, Museu Agrícola, Museu dos Coutos de Alcobaça, Museu da fábrica de cristal Atlantis, Museu Raul Bernarda, Museu Monográfico do Bárrio.

Para complementar, existe ainda a Rádio Cister (emissão em frequência modulada 95.5 MHz e online em www.cister.fm) e a Rádio Benedita FM (emissão em frequência modulada 88.1 MHz e online em www.beneditafm.pt), bem como o Projecto Cultural do Bazar das Monjas de Coz na freguesia de Cós, a Casa das Artes e o Cine – Teatro de Alcobaça – João d’Oliva Monteiro.

Em conclusão, tal como o próprio slogan do Portal do Munícipe de Alcobaça enuncia, “dê lugar ao Amor“, ou seja, Alcobaça, em primeiro lugar, é um romance vivo, tal como a própria Lusitana Paixão entre D. Pedro e D.Inês de Castro, sendo importante, na minha opinião, continuar a perpetuar esse seu testemunho vivo e permanente do grande amor que é o de cantar a uma só voz, ao mesmo tempo que se empreendem novas ideias e reúnem novas políticas, rumo a um desenvolvimento mais duradouro entre toda a Região do Oeste, logo tendo em vista um melhor envolvimento associativo capaz de enfrentar as mais diversas vicissitudes do dia a dia!

Para terminar e vos inspirar mais um pouco, apresento-vos, já de seguida, os seguintes alcobacenses famosos: Fernando dos Santos, matador de toiros; Frei António Brandão (1584-1637), historiador; Frei Fortunato de São Boaventura (1777-1844), polígrafo; Manuel Vieira de Natividade (1860-1918), arqueólogo; Virgínia Vitorino (1895 – 1967), poetisa e dramaturga; João d’Oliva Monteiro (1903-1949), industrial, fundador da Crisal e do cine-teatro; Joaquim Vieira Natividade, engenheiro agrónomo e historiador local; Humberto Delgado (1906-1965), general e combatente contra o Salazarismo, viveu na Cela Velha; Tarcísio Trindade, o único presidente de câmara do tempo da ditadura que não foi eleito pelas listas da União Nacional; deposto após a Revolução dos Cravos; The Gift e Loto, grupos de música electrónica; Sidewalkers, Black Leather, The two times twisted, Stone Dead, Plastic People, Fuzzil e Geek Daddies, bandas de Rock.

(fonteshttp://www.cm-alcobaca.pt,
https://pt.wikipedia.org/,
https://cister.fm/)
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