O consumo de produtos biológicos tem vindo a aumentar em Portugal nos últimos anos e, de uma forma bastante mais acentuada, desde que começou a pandemia!

Por conseguinte, a crescente procura por este tipo de produtos criou oportunidades de negócio na área da agricultura biológica, em que a saúde é um dos fatores que mais influencia a compra e o consumo deste tipo de produtos.

Por outro lado, o cliente de produtos biológicos procura informar-se mais e melhor acerca da composição nutricional dos mesmos, com o propósito de adquirir aqueles que lhe sejam mais benéficos para o organismo e um estilo de vida mais saudável.

É por isso igualmente importante investir-se na certificação biológica, atribuindo como que um selo de qualidade e confiança, por sua vez ainda aliado ao bem-estar e à sustentabilidade ambiental.

Neste sentido, coloquei algumas questões ao detentor da loja online Naturabox (www.naturabox.pt), Emanuel Mourão, a ver com a venda de todo um conjunto de produtos biológicos, biodegradáveis e sustentáveis, a quem eu agradeço, desde já, a sua disponibilidade:

naturabox

“A Naturabox comercializa produtos biológicos e artesanais, nomeadamente produtos alimentares, produtos gourmet, produtos de cuidados pessoas, higiene oral e produtos limpeza.”

1. É certo que a pandemia obrigou todos a parar e a pensar. Mas de que forma é que acha que o vírus veio dar-nos ainda mais razões para sermos conscientes e responsáveis pelas nossas próprias escolhas alimentares?

Emanuel Mourão: Antes do vírus, as pessoas já estavam a tornar-se mais conscientes e responsáveis, mas o vírus fez aumentar essa atenção, na minha opinião por vários fatores.

O facto de estarmos mais tempo em casa e com a família fez com que as pessoas começassem a cozinhar novamente ou a cozinhar mais, por um lado por não ser possível ir comer fora, mas também porque tínhamos mais tempo livre.

E quando não temos tempo para cozinhar, temos tendência a cozinhar comida rápida, nomeadamente comida pronta e congelada, que é comida processada e industrializada, ou então comemos fora, e quando temos pouco tempo para fazer uma refeição, procuramos um restaurante de fast-food.

Ou seja: falta de tempo leva-nos para comidas nada saudáveis.

naturabox

2. E quais é que são, afinal, as grandes vantagens, mas também as garantias, de se adquirirem produtos deste género numa loja online?

Emanuel Mourão: As garantias são que estes produtos biológicos são certificados pela UE e para serem certificados têm de corresponder a diversos critérios.

Por exemplo: se eu tiver um terreno onde estou a produzir agricultura biológica e tenho um certificado, mas se o meu vizinho vai usar químicos no seu terreno e contaminar o meu terreno, eu irei perder esse certificado; este exemplo demonstra como os critérios são rigoroso para se obter um certificado.

As vantagens de adquirir produtos biológicos são que estes produtos são mais completos nutricionalmente, visto que a agricultura intensiva e com recurso a pesticidas, leva ao crescimento mais rápido e a uma menor quantidade de água presente nesses produtos, o que os torna mais secos e rijos e, por vezes, menos doces, no caso das frutas.

Outra vantagem é ter um produto sem químicos: na agricultura biológica, no controlo de pragas, não são usados químicos, tornando-os mais saudáveis e seguros para a nossa saúde e bem-estar.

Ao serem adquiridos numa loja online, o cliente não necessita de se deslocar à loja, pode até programar entregas semanais ou mensais de um conjunto de produtos a serem entregues em sua casa, com toda a segurança e sem perder tempo em deslocações.

3. No que diz respeito agora à sua loja online Naturabox, como é que tudo começou e qual o porquê do nome?

Emanuel Mourão: A Naturabox começou durante o 2º confinamento, foi uma ideia inicial da minha esposa Elisabete, porque teve a ideia de começar a fazer entregas em boxes de produtos essenciais, que fossem consumidos mensal ou semanalmente.

Depois, com algumas ideias minhas ligadas à Restauração e com o gosto e o querer contribuir para um planeta mais limpo e sustentável, juntámos tudo e surgiu a Naturabox.

O nome Natura foi por termos produtos naturais, a palavra “box” porque o negócio iniciou-se com entrega de boxes já pré-definidas, apesar de os clientes poderem personalizar as suas boxes.

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4. Na sua página do Facebook refere que “A maioria dos produtos são de origem portuguesa. Reduzimos o uso de plástico.” Será que pode explicar melhor qual é que tem sido, por um lado, o seu processo de escolha dos produtos que decide disponibilizar aos seus clientes e, por outro, como é que tem efetivamente conseguido reduzir o uso dos plásticos?

Emanuel Mourão: Nós escolhemos fornecedores portugueses, quer nos produtos alimentares, quer nos produtos de cuidados pessoais, sendo que algum produtos, mesmo sendo de fornecedores portugueses, poderão ter origem noutro país, ou por ser um produto característico de um determinado país, ou por falta de quantidade em Portugal, para satisfazer a procura.

Temos alguns produtos que o nome das marcas são nomes ingleses, mas os produtos são ideias e feitos em Portugal e usam ingredientes típicos de Portugal, essas marcas têm nome inglês porque apostaram nos mercados internacionais, como por exemplo a marca dos nossos champôs sólidos “GreenTaylors”, ou a “Clementine”, uma marca portuguesa de produtos de higiene feminina descartáveis e biodegradáveis. Outros produtos são artesanais e escolhemos artesãos nacionais e certificados, como por exemplo o nosso mel da Torre da Magueixa, os sabonetes da Olivae e outros produtos da marca Água Mole.

Quanto ao uso do plástico, foi logo uma das nossas ideias, a redução do seu uso, todos os produtos de cuidados pessoais que temos ao dispor dos nossos clientes não contêm plástico na sua composição, como por exemplo o fio dentário e a escova de dentes, as embalagens são todas de cartão.

As nossas boxes são de cartão reciclado e são recicláveis, reduzimos o tamanho das nossas boxes, assim o espaço é aproveitado ao máximo e nem sempre é necessário utilizar enchimentos, usamos fita-cola de papel reciclado e reciclável, no enchimento das boxes usamos papel ou aproveitamos os enchimentos dos nossos fornecedores.

Alguns produtos são embalados em frascos de vidro que podem ser reutilizados, devolvidos na encomenda seguinte, ou reciclar.

O único plástico que temos está presente nas bolsas de embalagem, que apesar de serem de papel Kraft, o seu interior é de plástico, sendo que estas embalagens devem ser colocadas no ecoponto amarelo.

cuidados pessoais

5. No que diz respeito ao futuro, já existem planos para alargar o seu negócio?

Emanuel Mourão: sim, há planos, brevemente haverá novidades.

6. E como também tem sido formador na área da Cozinha, bem como da Restauração, é certo que a faturação dos bares e restaurantes caiu a pique. Todavia, uma vez que o passado dia 1 de maio foi o «primeiro dia do resto do desconfinamento», até que ponto é que acha que os consumidores vão mesmo regressar a esses estabelecimentos, sabendo nós que o confinamento gerou o hábito de consumo em casa com recurso, por exemplo, ao delivery e ao take-away?

Emanuel Mourão: Na minha opinião, o voltar aos restaurantes vai acontecer, e voltar ao normal também, visto que os bares e restaurantes também são espaços de convívio, sendo necessário sair e conviver.

Mas claro que o hábito do delivery e do take away veio para ficar e a tendência será para aumentar.

brunch

7. Para finalizar, que tipo de refeição é que sugeria aos meus leitores do Blog Cozinha Com Rosto, tendo como base os seus produtos à venda na loja online Naturabox?

Emanuel Mourão: Eu sugiro menus tradicionais e menus com pratos saudáveis e sustentáveis.

O que é que chamo de menus sustentáveis: são menus compostos por pratos que, para além de serem confecionamos com produtos produzidos de forma sustentáveis, a sua preparação é também sustentável, ou seja, ao nível do uso de energia na sua preparação, há pormenores que podem reduzir o consumo de energia quando cozinhamos, mas também ao reaproveitar ingredientes e desperdícios de partes menos nobres dos produtos, que por vezes as pessoas podem cozinhar e por desconhecimento deitam fora essas partes de alimentos, que poderiam aproveitar para cozinhar produtos que podem ser consumidos nessa refeição ou em refeições futuras, dou o exemplo mais comum, a produção de caldos ou de compotas que, para além de serem  produtos saudáveis, se os tivermos, não será necessário comprar doces para ter em casa, nem caldos artificiais e cheios de químicos para dar sabor aos nossos pratos.

Assim, podemos poupar dinheiro, reduzir o desperdício alimentar e ter produtos mais saudáveis!

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(fotos da autoria de Emanuel Mourão)

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